Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

QUEM TEM MEDO DE FEITIÇO?



Toda cultura engendra eventos, gestos, fenômenos e hábitos considerados estranhos pelas demais. Assim, o colonizador português nunca pôde compreender porque, entre os índios brasileiros, a mulher ia trabalhar enquanto o homem ficava na oca, cuidando do recém-nascido. Da mesma forma, o branco não pôde compreender porque os negros escravos ofereciam alimentos às suas divindades. Já estava muito longe a lembrança de que os antigos judeus ofereciam bois, carneiros, pombas, rolas, pães e azeite a seu deus. De igual sorte, a cultura católica, até hoje, conserva o hábito de oferecer pão e vinho à sua divindade maior, acreditando que tais substâncias se tornam corpo e sangue do Filho Único de Deus. E tudo isso acontece com um simples balbuciar de uma frase por parte do sacerdote. Ocorre, no entanto, que muitos católicos advogam para si a exclusividade de tal capacidade. E qualquer outra cultura em que se acredite também na possibilidade de realizações semelhantes é tida na condição de arte do Demônio e seus sacerdotes considerados feiticeiros. Ou na melhor das hipóteses: atos de selvageria, coisas de ignorantes, gente atrasada.Supersticioso até a alma, o português colonizador trouxe consigo o pavor deixado pelas fogueiras da Santa Inquisição, para quem até não trocar o óleo da candeia na sexta-feira era indício de satanismo. Mulheres foram queimadas vivas por exercerem o ofício de feiticeira: viravam rato, morcego, transformavam pessoas em bichos, voavam montadas em vassoura, tinham intimidades sexuais com o Demônio, enfim, faziam feitiço.Ao ver as práticas tidas como exóticas, tão comuns ao povo negro, nada mais óbvio para os preconceituosos do que considerar tais hábitos como esquisitos, estranhos e até mesmo demoníacos, satânicos. Enfim, malefícios de feiticeiro, isto é, feitiço. Afinal, as pessoas preconceituosas consideram-se exclusividade no plano do Criador. E a cultura de origem negra, ainda hoje, sofre as conseqüências de tal interpretação. Assim, uma oferenda qualquer, depositada em logradouros do tipo pedra do rio, beira do mar, mata, pedreira, encruzilhada, tudo isso provoca arrepios de assombro e terror. Na verdade, não são os objetos que provocam tal fenômeno, mas é o preconceito que propicia uma interpretação promotora de tal estado psicológico.O arraigamento de tal aversão vai tão longe que é comum até mesmo pessoas, declaradamente atéias, manifestarem pavor diante de situações próprias e particulares da cultura negra. Exemplos disso: pemba preta (agenciadora da morte e de toda espécie de malefício); ebó depositado numa encruzilhada (sinal do pacto com as forças demoníacas); cânticos religiosos ou até mesmo folclóricos (invocação ao Diabo); adereços ritualísticos (sinal de pacto com Satanás). E por aí segue uma série de absurdos, típicos dos que têm o horizonte colado ao nariz. Mas esta também foi a arma ideológica para manter os negros presos com outras correntes, mais terríveis ainda: “Você não é gente: é cria do Demônio, é pior que bicho. Por isso você é meu escravo e eu posso fazer de você o que eu bem quiser. Sua única salvação possível é abdicar de suas crenças e crer no que eu creio.”

Vale ressaltar também que a prática cultural das crenças dominantes passou por uma assepsia. Assim, não se vê o cadáver do Filho Único sacrificado, mas o pão em que o corpo dele se transformou. Não se bebe o sangue vertido do corpo matado, mas o vinho em que o sangue se transformou. E esta assepsia no conjunto simbólico permite que cena seja compreendida como civilizada, agradável, sutil e verdadeira. Na cultura do terreiro, porém, o simbolismo é outro. Os objetos passam por uma outra concepção que não é compreendida nem alcançada pelos praticantes de outros costumes. Isso possibilita, então, uma inviesada interpretação das práticas dos terreiros, por parte dos preconceituosos, que tomam tudo como feitiço, isto é, o malefício do feiticeiro.A prática do mal é inerente à natureza humana em qualquer cultura. E a maioria dos males é praticada fora do terreno religioso. Exemplo disso é o engendramento de práticas políticas, econômicas e educacionais que possibilitam a infância desamparada, a velhice abandonada, a falta de assistência à saúde, a educação ultrapassada, a corrupção, a negação dos direitos dos trabalhadores, a perseguição às minorias, a devastação das florestas, a poluição de mares e rios, a exterminação das espécies. Mas aí, o ebó é outro. E por isso mesmo, muita gente boa não se arrepia, não tem temor, nem fica apavorada porque não pode ver o verdadeiro demônio que, por trás de tudo isso, faz um feitiço escabroso.
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Prof. Ruy do Carmo Póvoras

ITAN: A JACA MOLE


Oxalá amanheceu com vontade de viajar. Olhe que isso é uma raridade acontecer. É tão raro, que os outros orixá atenderam, de imediato, ao chamado dele para participarem. Saíram de madrugadinha. Oxalá é assim: só começa as coisas antes do raiar do dia. E lá se foram, em fila indiana. Todo mundo andando sem pressa, pois Oxalá é lento, vagaroso e só anda em último lugar.

Iansã, acostumada com a agonia de sua tempestade, foi ficando impaciente. Olhava para um canto, olhava para outro, mirava o horizonte sem fim bem lá longe. E foi ficando cada vez mais agoniada. Começou a pensar consigo mesma:

−Ah, se eu estivesse sozinha... Logo, logo eu estava lá.

Se pelo menos Xangô, seu parceiro de agonia, resolvesse lhe acompanhar... Mas que nada: Xangô hoje estava decidido fazer companhia ao mais-velho...

A agonia aumentou tanto, que ela não suportou mais andar no passo do cágado. Aí, ela rodopiou e seguiu em frente sozinha. Lá, bem adiante, parou. Ficou embaixo de uma jaqueira, enquanto observava o grupo que se arrastava lentamente, por causa de Oxalá. A essas alturas, ela já estava pensando no que ia fazer depois que voltasse da viagem. Assim, ela navegou nos pensamentos, fazendo mil projetos. E a ventania corria pelo mato, derrubando folhas verdes e maduras.

Quando ela estava assim, bem de seu, uma jaca-mole, bem madura, despencou bem em cima de sua cabeça. Ela ficou banhada de visgo e melaço de jaca, da cabeça aos pés. Tomou um susto enorme, deu um grito e ficou sem saber o que fazer. Aí, ela se sentiu profundamente desamparada e resolveu voltar ao encontro do grupo.

Todo mundo notou a melação, mas ninguém disse nada. E ai de quem perguntasse qualquer coisa... De cabeça baixa, ela passou por Oxalá e tomou o último lugar na fila, atrás dele. Iansã apenas ouviu a última frase de uma conversa, que já estava terminando, entre Oxalá e Omolu, os mais velhos entre os mais-velhos:

− Pois é... Como o senhor bem sabe, esse povo assim, agoniado, precisa aprender:
Quem só anda às carreiras vai ter que voltar muitas vezes, para vencer a agonia.

Fonte : desconhecida

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Entrevista ao Programa A Hora do Axé em 2008

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

MARCHA ESTADUAL




I MARCHA ESTADUAL PELA LIBERDADE RELIGIOSA



DIA 21 DE JANEIRO



Local: Largo Glênio Peres, concentração apartir das 16 hs,
Após saudação ao Bará do mercado e 18hs saída,







Percurso: Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde será realizado as 19:30 hs, um ato pelo respeito à Territorialidade e Ancestralidade negro-africana e em memória dos quilombolas “assassinados” no Quilombo dos Alpes, vitimados pela violência racista.







Saindo do Largo Zumbi dos Palmares, seguiremos até a Volta do Gasômetro, onde o evento se encerrará com uma saudação aos Orixás as 21hs.











Vamos neste dia formar um Mar de Ojás (pano branco que cobre o Ori) nas Ruas de Porto Alegre!!

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

I MARCHA ESTADUAL PELA LIBERDADE RELIGIOSA




21 DE JANEIRO – Dia Nacional contra Intolerância ReligiosaMais uma vez o Povo do Àse Afro-Gaúcho se levanta para defender seus direitos.Já há muito tempo, a intolerância religiosa é pauta em todo o território nacional. Atrocidades tem sido cometidas em defesa de uma fé discriminadora, irracional e racista professada pelos seguimentos Neo-pentecostais e, sobretudo, pela da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) no Brasil afora, com o aval dos governos em todas as esferas. Desde 2003 discutimos a sacralização de animais em templos de Religião de Matrizes Africanas em virtude de Lei proposta por um Deputado evangélico na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Conseguimos modificar tal Lei, excetuando da mesma os cultos e liturgias das Religiões de Matrizes Africanas. Defensores de Animais, insuflados por evangélicos, entraram com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) e na esfera estadual perderam. A Lei desde então está no Supremo Tribunal Federal nas mãos do Ministro Marco Aurélio Mello que por covardia ou omissão não a coloca em Pauta. A partir daí, enfrentamos mais lutas na esfera municipal envolvendo castração e esterilização de animais, bem como enquadrando práticas religiosas como agentes de poluição e impacto ambiental, tentando imputar multas a quem fosse pego fazendo oferendas para as divindades. Conseguimos vencer! Agora iniciaremos mais uma batalha contra o racismo religioso imposta por mais um Deputado Evangélico que propõe um projeto lei para discutir a Lei do Silencio, tendo por argumentação “templos religiosos”, não bastasse a venda criminosa à burguesia de um dos nossos locais de realização de atos mais sagrados e populares, como as margens do Guaíba – no Estaleiro Só.Precisamos estar vinte e quatro horas por dia atentos, pois a todo o momento podem surgir novas leis e ataques ao Povo Afro Religioso, inclusive de agressões físicas, como já tem sido cometidas não só no Estado do RS, mas por todo o Brasil. Se não tomarmos uma atitude, o Brasil se tornará em um novo Afeganistão. Por isso, no dia vinte um de janeiro de 2009, TODOS devemos ocupar as Ruas da Capital e protestar contra o ódio religioso e o processo de demonização engendrado pelos Neo-pentecostais às religiões de descendência de um Povo milenar que construiu este País e merece Respeito!Vamos neste dia formar um Mar de Ojás (pano branco que cobre o Ori) nas Ruas de Porto Alegre!!A Marcha sairá do Largo Glênio Peres às 18 horas(concentração à partir das 16h), que iniciará com uma saudação ao Bará do Mercado, ganhará a Borges de Medeiros até o Largo Zumbi (19h30min), onde se realizará um ato pelo respeito à Territorialidade e Ancestralidade negro-africana e em memória dos quilombolas “assassinados” no Quilombo dos Alpes, vitimados pela violência racista e dali seguiremos até a Volta do Gasômetro onde o evento se encerrará com uma Saudação aos Orixás em uma grande roda, quando será entregue um presente aos Orixás das águas às 21h.
CEDRAB-RS – Congregação em defesa das Religiões afro-brasileiras do estado do Rio Grande do Sul

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Cartilha de postura contra preconceito religioso



Os casos de intolerância religiosa, a partir do próximo mês, estarão previstos e enquadrados num manual elaborado pelo coordenador do Instituto da Secretaria de Segurança Pública, Coronel Jorge da Silva, professor e representante da U.E.R.J. e será distribuído aos delegados e inspetores de todas as delegacias, para conscientização e sensibilização dos policiais, no enquadramento dos casos específicos sobre o assunto. A iniciativa é mais uma ação da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro que vem atuando ativamente na questão da garantia da manutenção da liberdade religiosa. O Manual de Ação Policial contra a Discriminação Racial, Étnica, Religiosa, de Origem ou Procedência Nacional objetiva prever casos exemplificados, com a legislação específica a ser aplicada, para enquadramento pelo policial. "Vamos assumir agora um compromisso, vamos fazer de tudo para mudar a situação de intolerância na qual nos encontramos", alerta o Coronel Silva. O Workshop foi realizado pela manhã nesta terça-feira, (2/12/2008), na Acadepol, e dirigido pelo delegado Henrique Pessoa chefe da Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil (Cinpol). Com a presença na mesa de debates do delegado Carlos Antonio de Oliveira, responsável pela Delegacia de Repressão de Armas Explosivas, do Coronel Jorge da Silva, ex-secretário de estado dos Direitos Humanos e atual coordenador de Pesquisa de Ordem Pública e Segurança Pública do Instituto da S.S.P e representante do reitor da U.E.R.J., como também do interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o babalawô Ivanir dos Santos, o evento teve a participação de cerca de 180 pessoas entre religiosos, delegados, inspetores e representantes da sociedade civil."Pela primeira vez, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro assume a liderança neste processo de conscientização e sensibilização do seu efetivo, contra discriminação e intolerância. Esta iniciativa deveria ser seguida pelas polícias dos demais estados, pois este problema também é nacional", desabafa o babalawô Ivanir dos Santos.Para o delegado Antonio Carlos de Oliveira, que afirmou que racismo e intolerância religiosa fazem parte do seu contexto profissional há 23 anos, pois ele mesmo já foi vítima destes atos por ser afro-descendente e candomblecista. "A intolerância religiosa faz parte de todo um aparato repressivo. Costumo chamar a intolerância religiosa como intolerância correlata, montada há séculos, visando depreciar e olvidar as origens e culturas do negro", sentencia. E aproveitou para dar um breve histórico do processo de punição da estrutura jurídica penal em relação ao negro e à sua cultura. Henrique Pessoa destacou a necessidade do policial, no pleno exercício da sua função representar o estado como país laico. "Ele não pode colocar a sua convicção acima do que a Lei determina. A Polícia Civil deverá ser o padrão, o modelo para o Brasil na abordagem da questão da intolerância religiosa", conclui.
Fonte: Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

IV ESCAMBO / III MOSTRA DE TALENTOS


Serviço:
FESTA TEMÁTICA
Dia: 21 de dezembro de 2008
Local:Largo Zumbi dos Palmares
Hora: 14h

A todos que quiserem participar construindo esta FESTA TEMÁTICA (IV ESCAMBO / III MOSTRA DE TALENTOS), informamos que poderão fazer sua inscrição (dança, música e artes) pelos seguintes telefones:

(51) 3352.8426 (com Regina)

(51) 3392.1546 (com Nara)

(51) 3224.7534 (à noite)

(51) 8137.6198 (com Elaine)

(51) 8412.6375 (com Cláudio)

Baba Diba de Iyemonja
Pùpó Àsé Àwá

http://www.babadybadeyemonja.blogspot.com

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

O Orixá Oxalá "Lissa"



O imenso respeito que o Grande Orixá inspira às pessoas das Religiões de Matriz Africana revela-se plenamente quando chega o momento da dança de Oxalá, durante o xiré dos Orixás. Com essa dança, fecha-se à noite, e os outros orixás presentes vão cercá-lo e sustentá-lo, levantando a bainha de sua roupa para evitar que ele a pise e venha a tropeçar. Oxalá e aqueles que o escoltam seguem o ritmo da “orquestra”, que interrompe a cadência em intervalos regulares, levando-os a dar alguns passos hesitantes, entrecortados de paradas, no decorrer dos quais o conjunto de orixás abaixa o corpo, deixa cair os braços e a cabeça, por um breve momento, como se estivessem cansados e sem força. Não é raro ver pessoas que, vindas como espectadoras, deixam-se tomar pelo ritmo, dançam e agitam-se em seus lugares, acompanhando o desfalecer do corpo e a retomada dos movimentos, conjuntamente com os orixás, num afã de comunhão com o Grande Orixá, aquele que foi, em tempos remotos, o Rei dos Igbôs, longe, bem longe, em Iluayê, a terra da África.

Texto de: Pierre Fatumbi Verger do livro Orixás

Comentário:
Esse texto de Pierre Verger é um dos melhores sobre as danças de Oxalá pois descreve bem o respeito que se tinha e como era feito há alguns anos atrás na religião dos Orixás realizada aqui no Sul, mas com o tempo podemos observar que quando chega o momento das danças de Oxalá a maioria dos Ilés já esta vazio, a maioria dos convidados já não estão presentes, ficando apenas os filhos do Ilê, como se o Orixá Oxalá não merece-se o devido respeito de todos. Mas nessa semana pude observar que nem tudo esta perdido pois presenciei um momento exatamente como sita Pierre Verge em seu texto, em um Ile de batuque, na Casa de Mãe Ynaia de Oxum, um momento de grande Asè desse Orixá enfim um afã de comunhão dos mais belos que vi nos últimos tempos, Parabéns a aqueles que mantém em evidencia os fundamentos e respeito pela nossa religião e nossas Divindades.
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Por Pai Léo de Oxalá


PS: Em dezembro estaremos de Obrigação no Kwe, portanto o blog só será atualizado apartir do dia 20 de dezembro.

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

"O NEGRO NA POESIA E NA MÚSICA"


RECITAL POÉTICO MUSICAL
"O NEGRO NA POESIA E NA MÚSICA"

"Tem Gente querendo chegar em algum destino, algum lugar; o lugar é a Feira do Livro, o destino." Solano Trindade

Recital poético onde o público pode conhecer a obra poética de escritores negros.A música, neste recital, serve para pontuar as poesias, que falam do universo afro – suas angústias, seus amores, seus temores e principalmente suas conquistas e sua dignidade.

Serviço:
Apresentação da 54ª Feira do Livro de POA
Data: 07/11/08 às 20hs
Local: Teatro Sancho Pança no cais do porto, entrada franca.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Sabedoria Africana, Provérbios

"Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo".
"Não importa quanto longa seja à noite, o dia virá certamente".
“É a água calma e silenciosa que afoga um homem”
"Ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés".
"O machado esquece, a árvore recorda".
“Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente”
“O dinheiro é mais afiado que uma faca”
“Tenha parentesco com a Hiena, e todas as hienas serão suas amigas”
“As lagrimas que descem pelo seu rosto não tiram sua visão”
“Se sua língua transformar-se em uma faca,cortará sua boca”
“Até que os Leões tenham suas historias, os contos de caça glorificarão sempre o caçador”
“Quando seu vizinho esta errado você aponta o dedo, mas quando você esta errado esconde”
“Quando as teias de aranha se juntam elas podem amarrar um leão”
“Se você danificar o caráter de outro, você danifica o seu próprio”
“A chuva bate na pele de um leopardo, mas não tira suas manchas”
“Quando você é rico, você é odiado, quando você é pobre, você é despresado.”
“Olorun esconde-se da mente do Homem, mas revela-se ao seu coração”
“Você não pode construir uma casa para o verão do ano passado”
"O conhecimento não é a coisa principal, mas as ações".
"Quando a lua não está cheia, as estrelas ficam mais brilhantes".
"Numa luta entre elefantes, o prejudicado é o capim".
"A união do rebanho obrigo o leão a ir dormir com fome".
"Nunca se esqueça das lições aprendidas na dor".
"Uma mentira estraga mil verdades".
"Um inimigo inteligente é melhor que um amigo estúpido".
"Quando o rato ri do gato, há um buraco perto".
"Ao construir uma casa, se um prego quebra, você deixa de construir, ou você muda o prego?".
"É melhor ser amado que temido".
"Aquele que não cultiva seu campo, morrerá de fome".

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

O Mito das Divindades Africanas



Para povos africanos, os acontecimentos do passado estão vivos nos mitos “Itans” falam de grandes acontecimentos, atos heróicos, descobertas e toda sorte de eventos dos quais a vida presente seria a continuação. Ao contrário da narrativa histórica, os mitos nem são datados nem mostram coerência entre si. Cada mito atende a uma necessidade de explicação tópica e justifica fatos e crenças que compõem a existência de quem o cultiva, o que não impede a existência de versões conflitantes, quando os fatos e interesses a justificar são diferentes. O mito fala do passado remoto que explica a vida no presente, mais que isso, que se refaz no presente. O tempo mítico expressa o passado distante, e fatos separados por um intervalo de tempo muito grande podem ser apresentados nos mitos como ocorrências de uma mesma época, concomitantes. Cada mito é autônomo e os personagens de um podem aparecer num outro mito com outras características e relações, às vezes contraditórias com as primeiras. Os mitos são narrativas parciais e sua reunião não propicia o desenho de nenhuma totalidade, pois não existe um fio narrativo na mitologia, como aquele que norteia a construção da história para os ocidentais. No mundo mítico, os eventos não se ajustam a um tempo contínuo e linear. O tempo do mito é o tempo das origens, e parece existir um tempo vazio entre o fato contado pelo mito e o tempo do narrador.
Bibliografia: Reginaldo Prandi ( O Tempo )

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

I ENCONTRO DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA NO GHC



A CEPPIR-GHC tem a honra de convidá-lo, para o I ENCONTRO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA,á realizar-se no dia 17 de outubro de 2008 ás 15 horas, quando será lançada a participação dos Religiosos de Matriz Africana no espaço inter-religioso do Hospital Cristo Redentor. Esta é uma conquista histórica e sem precedentes no Brasil, fruto de uma construção conjunta com lideranças de Matriz africana que garante a livre expressão religiosa e acentua a condição Laica do estado.Salientamos que é a 1ª Instituição de Saúde no Brasil, a abrir um espaço Inter-religioso com a presença das religiões de Matriz Africana.

CEPPIR-GHCCEDRAB-RS
COMUNIDADE TERREIRA ILE AXÉ IYEMONJA OMI OLODO
COMUNIDADE TERREIRO ILE SALAH ABA IRETI AGANDJU IBEIJS OLA SÌ BO
REDE NACIONAL DE RELIGIÕES AFRO BRASILEIRA E SAÚDE – NUCLEO RS

Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Demanda vencida!




O sacrifício de animais em cultos de origem africana foi autorizado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre-RS. O projeto de lei complementar aprovado, dia 13 de setembro, desclassifica como ato lesivo, no Código Municipal de Limpeza Urbana, a deposição em locais públicos de animais mortos, normalmente utilizados em cultos e liturgias de religiões afros.Autor do projeto, o vereador Guilherme Barbosa (PT) disse que era necessário corrigir o erro trazido pela lei complementar, pois teria causado conseqüências negativas a atividades religiosas que utilizam o sacrifício de animais.

Importante salientar que isso não nos dá o direito de sair poluindo o meio ambiente, o bom senso é fundamental, quando necessário o despacho de aves e etc , procurar locais ermos não utilizar a via publica de movimento para despachos, não utilizar plásticos garrafas e etc. Vamos respeitar o meio ambiente e o cidadão que não é de nossa Religião.
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Por Pai Léo de Oxalá
Fonte: Jornal Bom Axe

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Homenagem a Mãe Oxum

Dia 8 de Dezembro, em Ipanema - Porto Alegre - RS, será realizada a festa em homenagem a Mãe Oxum.

Realização:

Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Coordenação: Afrobras
Apoio: Confurbras.

Domingo, 5 de Outubro de 2008

PORTO POESIA 2


Nosso irmão Rodrigo Oná Abiase filho de Baba Diba, estará participando do 2° Porto Poesia, com o espetáculo – O negro na poesia e na música . Vamos prestigiar...

Serviço:
PORTO POESIA
Dia 06 à 12 de Outubro das 10h às 22h
Local: Shopping Total - Porto Alegre – RS - Av. Cristóvão Colombo, 545
TODAS ATIVIDADES COM ENTRADA FRANCA
Apresentação do Recital Poético dia 08/10 Quarta-feira 21:00 - 22:00 – Tronicx - O negro na poesia e na música – espetáculo com VERA LOPES, RODRIGO ONÁ ABIÀSE E GLAU BARROS.


Programação completa do Porto Poesia 2:
http://www.portopoesia.org/index.php/2o-edicao


Sábado, 4 de Outubro de 2008

Materia publicada no Jornal Bom Axé




Na edição Xangô n º 39 de setembro de 2008 do Jornal Bom Axé http://www.bomaxe.com.br/ , considerado o maior veiculo de comunicação das Religiões de Matriz Africanas do RS, foi publicada uma matéria minha sobre o Jeje com Aguidavis no RS, esta matéria faz parte de um trabalho de pesquisa sobre os Jejes do RS que ainda esta por concluir, mas na matéria do Jornal BomAxe, pode-se ver a parte do ritual do “toque” aos Voduns e Orixás, matéria essa que se torna de extrema importância pois muitos até então, desconheciam o ritual do Jeje, que se assemelha muito ao ritual pratica no antigo Daome, atual Benin na África.


Na imagem da matéria: Alabe Tio Valdir de Xangô, filho de Pai João de Esù Byi e Alabe Tiago filho carnal do Pai e Alabe Alfredo de Xangô. Foto de Mayra de Oxum Doko, no Ile de Esu Dare de Pai Tião.


Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

ELEIÇÕES 2008



Meus Irmãos, pensem bem na hora de votar pois é hora e a vez de buscarmos nosso espaço na política para termos voz, pois quem faz as leis e vota a favor ou contra elas , são os políticos. Temos que ter uma representação política e nada melhor que seja um de nós, não aqueles que só aparecem em nossos Iles em época de eleição, para angariar votos, mas sim um Irmão nosso, um Babalorixá ou Yalorixá ou Omorixa da Religião de Matriz Africana, pois estamos perdendo espaço a cada dia para os Pentecostais e por conta disso aparecem àquelas leis arbitrárias que tolhem nosso direito de culto. Que Orumiláia abra nossos olhos e que Yemanja, nos una em um só pensamento, que devemos votar consciente. Um voto pela Matriz Africana, um voto pelo futuro de nossa Religião, um voto pela Liberdade Religiosa, Um voto por tudo que nossa Religião representa para nós todos, irmãos e filhos dos Orixás. Asè...Asè...Asè

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por Pai Léo de Oxalá

A Noticia triste:
RIO - Lançado a duas semanas das eleições, o livro "Plano de poder", do bispo Edir Macedo prega que Deus tem um plano político para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil. Fundador e chefe da Igreja Universal, Edir Macedo incita os evangélicos à mobilização partidária, seguindo o "projeto de nação" que Deus teria sonhado para os hebreus, que ele chama de cristãos. É o que mostra reportagem de Tatiana Farah, publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO.
"Tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização dos evangélicos. Nunca, em nenhum tempo da história do evangelho no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva a participar da política nacional", escreve Macedo, estimando em 40 milhões a comunidade de evangélicos no país. "A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal".

O crescimento pentecostalismo:
três igrejas – Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e Universal do Reino de Deus – concentram 74% dos pentecostais, ou 13 milhões de pessoas (no ano 2000). Isso permite inferir que o êxito eleitoral da Assembléia de Deus e da Igreja Universal resulta, em parte, de seu peso demográfico.
A expansão pentecostal avança, igualmente, pelos campos assistencial, editorial, educacional, midiático e político partidário. A intenção é clara.

Parlamentares evangélicos:
O Brasil conta atualmente com 164 parlamentares evangélicos, entre vereadores, deputados estaduais e federais e senadores, distribuídos por 18 partidos. O PRB de Crivella é o que concentra a maior bancada evangélica: dos 28 eleitos, 17 são de grupos religiosos (61% de seus parlamentares). Criado em 2005, o partido, que tem na legenda o vice-presidente José Alencar, foi o que mais cresceu no ano passado, e é um dos ancoradouros dos pastores-candidatos da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd)

Bibliografia:
Jornal O Globo
Religião e política, por Claudirene Aparecida de Paula Bandini
Pentecostais e política no Brasil, por Sociologo Ricardo Mariano

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

O Tempo segundo a cosmovisão Africana Yoruba



A questão do tempo na sociedade iorubana tradicional, nos rituais de Candomblé e na sociedade capitalista.

Para o pensador africano John Mbiti, enquanto nas sociedades ocidentais o tempo pode ser concebido como algo a ser consumido, podendo ser vendido e comprado, como se fosse mercadoria ou serviço potenciais - dizemos ‘tempo é dinheiro!’ -, nas sociedades africanas tradicionais o tempo tem que ser criado ou produzido, acrescentando Mbiti que “o homem africano não é escravo do tempo, mas, ao invés disso, ele produz tanto tempo quanto queira”. Ele comenta que, por não conhecerem essa concepção, muitos estrangeiros ocidentais não raro julgam que os africanos estão sempre atrasados naquilo que fazem, enquanto outros dizem: “Ah! Esses africanos ficam aí sentados desperdiçando seu tempo na ociosidade” (Mbiti, 1990: 19). (…)

Nas palavras do nigeriano Wole Soyinka, prêmio Nobel de literatura, “o pensamento tradicional opera não uma sucessão linear de tempo mas uma realidade cíclica” (Soyinka, 1995: 10). Por isso, o tempo escalar, que se mede matematicamente, podendo ser somado, subtraído, dividido etc., não faz nenhum sentido para o pensamento africano tradicional. Para os ocidentais, o tempo é uma variável contínua, uma dimensão que tem realidade própria, que independe dos fatos, de tal modo que são os fatos que se justapõem à escala do tempo. É o tempo da precisão, que objetiva o cálculo, que viabiliza a projeção e fundamenta a racionalidade - tempo da ciência histórica e da modernidade. Nessa escala ocidental do tempo, os acontecimentos são enfileirados uns após outros, em seqüências que permitem organizá-los como anteriores e posteriores, uns como causa e outros como conseqüência, construindo-se uma cadeia de correlações e causações que conhecemos como história.

Para os africanos tradicionais, contudo, o tempo é uma composição dos eventos que já aconteceram ou que estão para acontecer imediatamente. É a reunião daquilo que já experimentamos como realizado, sendo que o passado, imediato, está intimamente ligado ao presente, do qual é parte, enquanto que o futuro, imediato, nada mais é que a continuação daquilo que já começou a acontecer no presente, não fazendo nenhum sentido a idéia do futuro como acontecimento remoto desligado de nossa realidade imediata. O futuro que se expressa na repetição cíclica dos fatos da natureza, como as estações, as colheitas vindouras, o envelhecer de cada um, é repetição do que já se conheceu, viveu e experimentou, não é futuro. Não há sucessão de fatos encadeados no passado distante, nem projeção do futuro; a idéia de história como a conhecemos no Ocidente não existe; a idéia de fazer planos para o futuro, de planejar os acontecimentos vindouros, é completamente estapafúrdia. Se o futuro é aquilo que não foi experimentado, ele não faz sentido nem pode ser controlado, pois o tempo é o tempo vivido, o tempo acumulado, o tempo acontecido.

Para os iorubás e outros povos africanos, os acontecimentos do passado estão vivos nos mitos, que falam de grandes acontecimentos, atos heróicos, descobertas e toda sorte de eventos dos quais a vida presente seria a continuação. Ao contrário da narrativa histórica, os mitos nem são datados nem mostram coerência entre si. Cada mito atende a uma necessidade de explicação tópica e justifica fatos e crenças que compõem a existência de quem o cultiva, o que não impede a existência de versões conflitantes, quando os fatos e interesses a justificar são diferentes. O mito fala do passado remoto que explica a vida no presente, mais que isso, que se refaz no presente. O tempo mítico expressa o passado distante, e fatos separados por um intervalo de tempo muito grande podem ser apresentados nos mitos como ocorrências de uma mesma época, concomitantes. Cada mito é autônomo e os personagens de um podem aparecer num outro mito com outras características e relações, às vezes contraditórias com as primeiras. Os mitos são narrativas parciais e sua reunião não propicia o desenho de nenhuma totalidade, pois não existe um fio narrativo na mitologia, como aquele que norteia a construção da história para os ocidentais. No mundo mítico, os eventos não se ajustam a um tempo contínuo e linear. O tempo do mito é o tempo das origens, e parece existir um tempo vazio entre o fato contado pelo mito e o tempo do narrador.

Para os iorubás, os mortos devem reencarnar e, enquanto esperam pelo renascimento, habitam o mundo dos que vão nascer, que é próximo do mundo aqui-e-agora, o mundo em que vivemos, o Aiê. Esse mundo do futuro imediato é atado ao presente pelo fato de que aquele que vai nascer de novo tem que permanecer vivo na memória de seus descendentes, participando de suas vidas e sendo por eles alimentados nos ritos sacrificiais, até o dia de seu renascimento como um novo membro de sua própria família. Para o homem, o mundo das realizações, da felicidade, da plenitude é o mundo do presente, o Aiê, não havendo prêmio nem punição no mundo dos que vão nascer, o mundo dos mortos, pois ali nada acontece. Os homens e mulheres pagam por seus crimes em vida e são punidos pelas instâncias humanas. As punições impostas aos humanos pelos deuses e antepassados por causa de atos maus igualmente não o atingem após a morte, mas se aplicam a toda a coletividade à qual o infrator pertence, e isso também acontece no Aiê, numa concepção ética que está focada na coletividade e não no indivíduo (Mbon, 1991: 102), não existindo a noção ocidental cristã de salvação no outro mundo nem a idéia de pecado. O outro mundo habitado pelos mortos é temporário, transitório, voltado para o presente dos humanos. Nem mesmo a vida espiritual tem expressão no futuro. Os mortos ilustres - fundadores de troncos familiares e de cidades, heróis, reis, conquistadores, grandes sacerdotes - podem vir a ser cultuados como antepassados, os egunguns, passando a habitar o passado mítico, o passado distante localizado no Orum, onde vivem os deuses orixás, dos quais muitos são antigos heróis divinizados, cujo culto se desprendeu dos limites da família e se generalizou, sendo incorporados ao passado mítico de todo um clã, uma cidade, um povo, podendo vir a ter altares erigidos em sua homenagem até mesmo do outro lado do oceano, como aconteceu com muitos orixás na América.


O passado remoto da narrativa mítica, que trata dos orixás e dos antepassados, é transmitido de geração a geração, por meio da oralidade, é ele que dá o sentido geral da vida para todos e fornece a identidade grupal e os valores e normas essenciais para a ação naquela sociedade, confundindo-se plenamente com a religião. Ensina Prigogine, prêmio Nobel de física, que o tempo cíclico é o tempo da natureza, o tempo reversível, e também o tempo da memória, o tempo mítico que não se perde, mas que se repõe. O tempo da história, em contrapartida, é o tempo irreversível, um tempo que não se liga nem à eternidade e nem ao eterno retorno. O tempo do mito e o tempo da memória descrevem um mesmo movimento de reposição: sai do presente, vai para o passado e volta ao presente, em que o futuro é apenas o tempo necessário para a reencarnação, o renascimento, o começar de novo. A religião é a ritualização dessa memória, desse tempo cíclico, ou seja, a representação no presente, através de símbolos e encenações ritualizadas, desse passado que garante a identidade do grupo - quem somos, de onde viemos, para onde vamos? É o tempo da tradição, da não mudança, da religião, a religião como fonte de identidade que reitera no cotidiano a memória ancestral. No candomblé, emblematicamente, quando o filho-de-santo entra em transe e incorpora um orixá, assumindo sua identidade, que é representada pela dança característica que lembra as aventuras míticas dessa divindade, é o passado remoto, coletivo, que aflora no presente para se mostrar vivo, o transe ritual repetindo o passado no presente, numa representação em carne e osso da memória coletiva.

Para os iorubás, uma vez que tudo é repetição, nada é novidade, aquilo que nos acontece hoje e que está prestes a acontecer no futuro imediato já foi experimentado antes por outro ser humano, por um antepassado, pelos próprios orixás. O oráculo de Ifá, praticado pelos babalaôs, baseia-se no conhecimento de um grande repertório de mitos que falam de toda sorte de fatos acontecidos no passado remoto e que voltam a acontecer, envolvendo personagens do presente. É sempre o passado que lança luz sobre o presente e o futuro imediato. Conhecer o passado é deter as fórmulas de controle dos acontecimentos da vida dos viventes. Esse passado mítico, que se refaz a cada instante no presente, é narrado pelos odus do oráculo de Ifá, preservados no Brasil pelo jogo de búzios das mães e pais-de-santo dos candomblés. O jogo de búzios é a leitura do tempo mítico que se refaz no presente. É olhar o presente com os olhos no passado.

A essa concepção africana de tempo estão intimamente associadas as idéias de aprendizado, saber, competência e hierarquia que podemos observar no candomblé. Para os africanos tradicionais, o conhecimento humano é entendido, sobretudo, como resultado do transcorrer inexorável da vida, do fruir do tempo, do construir da biografia. Sabe-se mais porque se é velho, porque se viveu o tempo necessário da aprendizagem. A aprendizagem não é uma esfera isolada da vida, como a nossa escola ocidental, mas um processo que se realiza a partir de dentro, participativamente. Aprende-se à medida que se faz, que se vive. Com o passar do tempo, os mais velhos vão acumulando um conhecimento a que o jovem só terá acesso quando tiver passado pelas mesmas experiências. Mesmo quando se trata de conhecimento especializado, o aprendizado é por imitação e repetição. As diferentes confrarias profissionais, especialmente as de caráter mágico e religioso, dividem as responsabilidades de acordo com a senioridade de seus membros e estabelecem ritos de passagem que marcam a superação de uma etapa de aprendizado para ingresso em outra, que, certamente, implica o acesso a novos conhecimentos, segredos ou mistérios da confraria.

Bibliografia:
Conferência proferida pelo professor Reginaldo Prandi
Pesquisador John Mbiti

Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa




21 de Setembro - Domingo - 09:00 hs da manhã. Concentração na Praia do Leme.




Ninguém será discriminado por sua crença religiosa. Eu tenho fé.
A intolerância religiosa vem crescendo em todo o país. Já foram registrados diversos casos de ataques as religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Seus sacerdotes vêm sendo agredidos, ,sua religiosidade difamada em veículos de comunicação. Estudantes tem sofrido constrangimento e recebido ensinamentos com imposição curricular de outro credo. E até episódios de extremos vandalismo, invasão e demolição de templos, terreiros, casas-de-santo tornaram-se rotineiros. Nenhuma manifestação religiosa será ofendida sem o devido direito de resposta e punição. Eu tenho fé. Para defender o direito da liberdade de culto , organizações religiosas e da sociedade civil vão promover no dia 21 de setembro, a Caminhada pela Liberdade Religiosa, na orla de Copacabana. Esta iniciativa é uma resposta dos praticantes das religiões afro-brasileira que, em conjunto com outros setores, vem se mobilizar contra o fanatismo, o preconceito e a discriminação. A caminhada é um ato a favor da cidadania. É um movimento que acredita, como no tempo dos Quilombos, que o espírito de convivência pacífico e democrático pode ser incorporado pela população do estado do Rio de Janeiro. Nós temos fé!

Video da campanha sobre intolerancia Religiosa:




Baba Diba de Iyemonja estara na Caminhada pela Liberdade Religiosa no Rio de Janeiro, Representando a Comunidade Terreiro Ile Àsé Iyemonja Omi Olodo da Vila São José em Porto Alegre - RS, a CEDRAB-RS - Congregação em Defesa das religiões Afro Brasileiras do RS e a Africanamente - Centro de Pesquisa Resgate e preservação de Tradições Afrodescendentes, bem como a Comunidade Afro religiosa do estado.

Sábado, 13 de Setembro de 2008

Diversidade Religiosa


Em se falando em Fé o Brasil e o mundo são uma colcha de retalhos, mas uma coisa é certa Deus quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs. Ou: Olorun quer, Ou: Mawu-Lissa quer, Ou: Alá quer, Ou: Javé quer. Deus, Olorun, Mawu Lissa, Alá, A Deusa, Brahman...São muitos os nomes pelos quais os seres humanos chamam o Criador. Mas a vontade dele é uma só: que seus filhos e filhas vivam em paz, como irmãos e irmãs. Se esta é a vontade do Criado , quem somos nós para desafiá-la? E, no entanto nos a desafiamos.Todas as vezes que discriminamos nosso semelhante por ele pensar diferente , ou faz suas faz suas preces de maneira diferente, ou chama o Criador por um nome diferente, nós desafiamos a Sua vontade. Porque Ele deu a seus filhos e filhas a maior de todas as graças: a capacidade de pensar. De pensar livre. De pensar diferente. Quem somos nós, então, para desafiar a vontade do Criador?.Discriminamos, ofendemos, praticamos atos de violência contra nosso semelhante, com a desculpa de que ele é "diferente". Foi assim no principio dos tempos. É assim nos dias de hoje.

Prevenir a intolerância é assumir que nenhuma verdade é única. É reconhecer que o outro tem livre arbítrio(...). Esse reconhecimento pressupõe garantir-lhe o direito de pensar, de crer, de amar, de doar,de rezar, de ser gente religiosa. Gente que exercita a missão sagrada de reconhecer no outro a imagem e semelhança de Deus, Olorum ou Javé.

A cartinha “Diversidade Religiosa e Direitos Humanos”


Cartilha promove reflexão sobre diversidade religiosa e direitos humanos Apresentação.

O Estado Brasileiro é laico. Isso significa que ele não deve ter, e não tem religião. Tem, sim, o dever de garantir a liberdade religiosa. Diz o artigo 5o, inciso VI, da Constituição: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais da humanidade, como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual somos signatários. A pluralidade, construída por várias raças, culturas, religiões, permite que todos sejam iguais, cada um com suas diferenças. É o que faz do Brasil, Brasil. Certamente, deveríamos, pela diversidade de nossa origem, pela convivência entre os diferentes, servir de exemplo para o mundo. No Brasil de hoje, a intolerância religiosa não produz guerras, nem matanças. Entretanto, muitas vezes, o preconceito existe e se manifesta pela humilhação imposta àquele que é “diferente”. Outras vezes o preconceito se manifesta pela violência. No momento em que alguém é humilhado, discriminado, agredido devido à sua cor ou à sua crença, ele tem seus direitos constitucionais, seus direitos humanos violados; este alguém é vítima de um crime – e o Código Penal Brasileiro prevê punição para os criminosos.Invadir terreiros de umbanda e candomblé, que, além de locais sagrados de culto, são também guardiães da memória de povos arrancados da África e escravizados no Brasil; desrespeitar a espiritualidade dos povos indígenas, ou tentar impor a eles a visão de que sua religião é falsa; agredir os ciganos devido à sua etnia ou crença, mesmo motivo que os levou ao quase extermínio na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial: tudo isto é intolerância, é discriminação contra religiões. É o contrário do que pretende o Programa Nacional dos Direitos Humanos. O Programa Nacional dos Direitos Humanos pretende incentivar o diálogo entre os movimentos religiosos, para a construção de uma sociedade verdadeiramente pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças.A presente cartilha, Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, é o resultado de quase um ano e meio de um trabalho que contou com a participação de várias religiões, e que não se esgota aqui (outras colaborações podem ser conferidas no site (www.presidencia.gov.br/sedh). Esta cartilha é a continuidade das muitas ações de homens e mulheres de boa vontade e diferentes crenças, que, com suas palavras e seus atos, pretendem construir um país, um mundo melhor. Um país e um mundo em que ninguém sofra ou pratique injustiça contra seu semelhante. Um mundo e um país de todos.
Ministro Nilmário Miranda (Secretaria Especial dos Direitos Humanos)

Declaração Universal dos direitos humanos Art. XVIII
Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente,em público ou em particular.”